Hoje vou convidar o leitor a fazer um pequeno exercício: tem, por acaso, alguém no seu grupo de amigos que começa várias vezes frases com a palavra “supostamente”? Sim? Caso não se tenha ainda apercebido, lamento informar que tem um amigo conspiracionista.
Com o advento da internet, as teorias da conspiração ganharam asas. E, com o advento da pandemia (ou fraudemia???), as asas cresceram e agora voam por todo o lado. Antes de mais, acho que o advento se devia manter só nos chocolates de natal, estas novas versões são horríveis. Mas continuando, dantes, havia algum colega na escola que tinha um irmão mais velho que fumava umas cenas e dizia disparates sobre a alunagem. Agora, tem um canal de youtube. O parvo do passado tornou-se no influenciador do futuro. E, de tanto dizer que supostamente fomos à lua, tudo acaba por ser supostamente. “Supostamente” passa a ser uma palavra do dia-a-dia. Vamos jantar ao indiano do fundo da rua? Supostamente abre às sete. Praia no fim-de-semana? Supostamente vai estar sol. Dar um passeio em Mordor? Supostamente não existe.
Voltando à pandemia, morreu muita gente, mas as pessoas morreram de outra coisa qualquer, e o objectivo era manter toda a gente em casa, por algum motivo incompreensível e, de certeza, absurdo. Os vários governos juntaram-se e pensaram “isto o que era giro era não andar ninguém na rua”. E pediram a um nerd para criar uma pandemia. Tumba, nunca mais há horas de ponta. Felizmente, as pessoas acordaram e já podemos ficar todos presos no trânsito outra vez. Em relação à lua... supostamente, nunca lá fomos. Tirando os restos que lá ficaram depois das missões Apolo, as fotografias tiradas a esse material por satélites, e ser possível vê-los da Terra com telescópios, de facto, nada nos garante de forma definitiva que a humanidade alguma vez lá tenha estado. Simplesmente, não há provas. Portanto, a tralha que, supostamente, lá está, foi deixada cair pelas naves que por lá passaram (se é que chegaram a ir). Os astronautas da Apolo foram lá, abriram a janela e atiraram umas chapas ou um balde lá para baixo. Ou, imaginando que só tinham sopa para comer, uns talheres. Não é preciso garfos nem facas. Já a missão Artemis apostou na modernização, e atirou plásticos e wi-fi.
Com isto tudo, não sei como acabar esta crónica. Há tanta incerteza que nem dá para seguir uma linha lógica. Tanta incerteza que nem sei se fui mesmo eu a escrever isto. Supostamente, posso acabar assim.