Ir ao cinema é uma experiência mágica. É ver coisas inimagináveis acontecer e, no caso dos filmes de terror, pessoas a tomar decisões parvas que nenhuma pessoa normal tomaria. No entanto, a coisa mais irreal não é viajar pelo multiverso, a Força, ou o Tom Cruise a correr sem parar durante duas horas. É que, no final, os bons ganham.
Ora bem, o império é derrotado, os humanos são expulsos de Pandora, a guerra nuclear não rebenta, e o anel é destruído. Não há como negar. Na fantasia e ficção científica, é mágico mas irreal, no resto, nas coisas que acontecem no dia a dia normal, é absurdo e improvável, e acaba sempre bem. De forma mais ou menos legal, mas bem.
No mundo real, não é bem assim. A Ucrânia continua em sofrimento e vai provavelmente ser entalada, na Palestina igual, os protestos Mahsa Amini não mudaram nada e a sequela deste ano ainda está por decidir, e, no início do ano, uma pessoa que quer receber o Nobel da Paz à força, atacou um país estrangeiro, provavelmente de forma pacífica, que curiosamente tem as maiores reservas de petróleo do mundo e não deixa os EUA lá entrar. Antes disso, já tinha feito umas coisas no Irão e na Nigéria, também pacificamente, e agora quer atacar os aliados da NATO. E brevemente num cinema perto de si, Taiwan, para não falar na idade do Dalai Lama e no que virá a seguir.
Afinal, o George Orwell tinha razão, só se enganou no ano. Mas quem nunca se enganou que atire a primeira pedra.