Este ano, tive uma Páscoa diferente. No domingo, recebi uma chamada de um amigo, que não podia atender no momento. Guardei o telefone no bolso, acabei o que estava a fazer e, quatro minutos depois da chamada, voltei a tirá-lo do bolso. O que vi foi o ecrã preto, e o telefone não respondia. Tinha carregado o telefone naquela manhã, mas já tive problemas de bateria, portanto pensei que podia ser mais do mesmo. Tentei aquelas técnicas de forçar o arranque, voltei a ligar à corrente, mas nada.
Pronto, é o que é. Na manhã seguinte, avisei no trabalho que estava sem telefone, e fui tentar arranjá-lo, porque há coisas no trabalho que dependem do telefone. Quando estava a sair de casa, pensei ver o horário do sítio onde o ia arranjar… só que não dá, não há telefone. Volta atrás para ver no pc. Saí e no elevador lembrei-me de ver se estava trânsito, mas também não dava. Portanto, olha, fui à aventura sem saber se ia ficar preso na estrada, como uma pessoa dos anos 90. Cheguei ao primeiro semáforo e vi qualquer coisa cair mesmo à frente do carro. Achei estranho e olhei para cima, e estava uma gaivota no topo do poste de iluminação mesmo ao meu lado, a fazer as suas necessidades. Por sorte, estava virada para mim, se estivesse de costas acertava no carro. Mas pronto, segui em frente, enquanto na rádio passava o grande (talvez único?) êxito dos Excesso, “Eu Sou Aquele”. Como qualquer pessoa normal, pensei que tinha de dizer aos meus amigos o que estava a acontecer, mas não dava… voltei à infância e tive de esperar pela manhã seguinte para lhes contar na escola.
Cheguei à loja, e que vejo? A electricidade tinha ido abaixo na rua inteira. Não sei como é que o karma funciona, mas dei uns quantos ovos de chocolate que descobri aos meus primos mais novos, não merecia isto. Devia ter dado todos, é isso? Bom, acabou por não ser um problema, porque o centro comercial estava a funcionar normalmente. Ou, pelo menos, o suficiente para me dizerem que o problema era da motherboard, e não havia nada a fazer, portanto, tive de comprar um telefone novo, e usar um antigo sabiamente guardado pelo meu irmão até o receber.
Posto isto, passado uns dias recebo o telefone, e começo todo o processo de o pôr operacional, que inclui uns quantos momentos frustrantes de aplicações a quererem mandar mensagens de confirmação para o telefone antigo, mas resolveu-se tudo. Assim que fica tudo a funcionar, começo a receber mensagens acumuladas de pessoas a querer combinar coisas, e a perguntar 3 dias depois se já estava marcado. Aparentemente, o sinal de mensagem não entregue e a falta de resposta não levantam questões. Fica o alerta para quem vive sozinho, os vossos amigos não prestam assim tanta atenção.
No fim, ficou tudo bem, e já voltou tudo ao normal, ficando só a dúvida sobre o que poderá ter originado o falecimento. Sendo domingo de Páscoa, se calhar o telefone ascendeu. Podia era ter dado os três dias de aviso. Mas o que é certo é que o mundo estava melhor quando a Blackberry fazia telefones.