Aproveitando a parvoíce que foi o mundial deste ano (que devia ser chamado de mundial de futebol masculino, já que o outro é de futebol feminino), vamos falar de desporto. Mantendo o tema, vamos falar de futebol, que é uma constante da nossa vida, e mesmo quando não há futebol, alguém cria uma competição sem interesse para podermos continuar a ver futebol, e ter actualizações horárias de rumores de transferências, incluindo ter de saber, sem querer, o que anda a fazer um jornalista italiano aleatório.
Mas, sem divagar mais, a parte específica do futebol que interessa hoje é a saúde. É uma enorme preocupação para os clubes, e quanto maior o clube, maior a preocupação. Por incrível que pareça, não é enquanto os jogadores fazem jogos profissionais de alta exigência física. É quando estão a divertir-se com amigos. Todas as semanas, há pelo menos 3 jogadores em cada equipa que quase são assassinados pelos adversários, e ficam agarrados aos tornozelos em enorme sofrimento, a gritar tanto que se houve no estádio inteiro, e precisam de assistência médica. Miraculosamente, todos sobrevivem e recuperam bem, continuam a jogar e têm a oportunidade de ser assassinados de novo na semana seguinte.
Jogar com amigos é outra história. São jogos perigosíssimos. Em vez de se correr 100 metros para cada lado, são uns assustadores 30, e no lugar de jovens no topo das suas capacidades físicas, estão medonhos carecas em baixo de forma, com barriguinha. Aqui sim, surgem as piores lesões que um jogador pode ter. Piores até do que as tradicionais “que fez sozinho” a meio do jogo, porque não é tão mau levar uma joelhada na coxa de um central com o peso de uma locomotiva como ter uma distensão muscular a meio da corrida. Andar a alta intensidade durante 90 minutos? Tudo bem. Quarta-feira, não há liga dos campeões e o Vítor ligou a dizer falta uma pessoa? Nem pensar. Tudo proibido, e ai de quem pensar em escalada, ou padel, ou paintball. Só ginásio e natação, e sob supervisão. O que é apanhar com pitons no tornozelo quando comparado com um empurrão do Vítor? Não se pode confiar em amigos.
Será que é por isso que os jogadores só jogam com colegas? Se fizessem amizades no balneário, ficava tudo na prateleira em menos de um mês? Também jogo de vez em quando, e nunca vi ninguém lesionar-se. Se aparecer um jogador profissional, será que sou eu que o lesiono? Será por falta de pausas para hidratação? Por falar nisso, e voltando a Itália, está na altura de o Gianni ir para casa.