Recentemente, tenho reparado numa nova invasão na língua portuguesa. Ou, pelo menos, na imprensa portuguesa. Neste momento, há uma vaga de admissões, e não consigo encontrar a origem.
Vejamos: este mês, com a tempestade e com a catástrofe de Leiria, Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos, entre outros, o Presidente da República falou na hipótese de se estudar o adiamento das eleições. Nas televisões e nos jornais online, o título da notícia era “PR admite adiamento”. Ouvindo a conversa, o que foi dito foi um “pois, é uma questão de se ver”. Mas assim não tem tanto impacto. E como o PR, houve uns quantos ministros a admitir coisas, foi um fartote.
Também no futebol há admissões por todo o lado. Quando um jogador “admite sair no final da temporada”, normalmente o artigo diz “quando questionado, o centro-campista disse não saber o que vai acontecer no Verão”. Se um treinador admite uma contratação falhada, o mais provável é ter dito “não tem sido o que esperávamos”. E se uma equipa admite não ir a jogo, então de certeza que só estava a falar de um campo que está em mau estado.
Eu proponho aproveitar a onda e passar a usar isto como padrão. Sempre que alguém não ponha de parte uma opção, admite essa opção. Um ministro ainda não decidiu como vai de Lisboa ao Porto? Então admite ir de avião. O contrato das redes está a chegar ao fim? Operadora admite cortar comunicações. O Songoku não existe? É verdade, mas a ONU pode admitir que o Freezer é capaz de destruir o planeta. Porque não criar um modelo e adaptar a cada situação? Assim cada jornal pode criar maior número de notícias por dia, e aumentar os seus indicadores de performance e de “engajamento”, ou outro jargão corporativo da treta que se use. Mas pronto, fica a sugestão. Os jornais desportivos usam modelos há anos e parece dar resultado.