Estamos numa altura do ano altamente perigosa. Chegaram os santos, e com eles todo um conjunto de sons e cheiros característicos da época. Para quem gosta de santos, óptimo, para quem não gosta, é chato, para quem não liga, é só Junho.
No meu caso, não acho piada mas também não me incomoda, porque faço a jogada simples de não ir aos santos. Porém, às vezes os santos vêm até mim. Quantos de nós têm amigos que gostam de fazer churrascadas? Pois. Só que agora essas churrascadas são sardinhadas. Isso é que é pior. Peixe, sim senhor. Sardinhas, nem pensar. É um peixe que não sabe bem (um frase que quase implica a perda de nacionalidade), é uma chatice para comer, e a roupa fica a cheirar mal até ao ano novo. Portanto, Junho começa, e o telefone explode com convites para sardinhadas todos os domingos. Não tenho roupa suficiente para tanto, e detesto ir às compras. E não há grande escapatória, porque sabendo que alguém não gosta de sardinhas, há uma alternativa na manga: carapaus. Porquê carapaus? Tanto peixe no mar, e tem de ser o mais desinteressante? Faz qualquer pessoa rezar ao santo do dia.
Para ajudar à festa, é tudo ao som de pimba. Há música popular tão boa, e escolhe-se ouvir pimba durante um mês, intervalado com alguma foleirada do caribe. As crianças que nascem em Junho têm esta banda sonora em todas as festas de anos, depois crescem a pensar que é normal, e vai-se perpetuando. Porque não ouvir só a “Chegaram os Santos” dos Diabo na Cruz em loop? Seria pior? Lanço o desafio.
Resumindo, em geral, santos não me chateia. Fecho a janela e não entra música nem cheiro. O verdadeiro perigo é atender o telefone. Não há roupa nem desculpas suficientes para um mês inteiro.