Sou fã do provérbio “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Pelo menos, em teoria. Concordo mas nem sempre aplico. Só há uma situação em que sou contra este provérbio, que é a comer.
Quando uma refeição sabe bem, quando é bem feita, deixo para o fim a parte de que gosto mais. Acho que não sou o único, e até é um plano que faz muito sentido. É querer acabar em alta. E é também por isso que à frase “deixa-me um bocadinho para provar” respondo “ora essa, tira, tira”. É melhor jogar pelo seguro. Infelizmente, tenho tendência para aplicar isto a outras áreas da vida, em concreto, no entretenimento, que é uma estupidez.
Com livros acontece com muita frequência. Tenho livros que quero mesmo muito ler guardados há dois ou três anos, porque quero despachar outros em que tenho menos interesse antes. Por um lado, se deixar para depois posso não querer ler, e perder qualquer coisa que seja interessante. Por outro, tal como na comida, se ler um livro de que goste e depois seguir para outro que é uma treta, é como acabar a refeição com couves de Bruxelas. Pois, não é? Mas isto é parvo, porque posso sempre ler outro a seguir. A verdadeira explicação para isto acontecer é que, no fundo, não consigo deixar um livro a meio. E se o autor fica chateado?
Mais, filmes e séries. Esta é mesmo fixe, vou ver depois de despachar esta outra de dez temporadas que é só para ter barulho de fundo. Não faz sentido, porque há montes de plataformas de streaming com tudo. No entanto, só tenho uma e pode acontecer acabar a série da treta e a fixe já não está disponível, sendo que a opção é pagar outra plataforma. Ridículo. Jogos de computador é o mesmo. Deixo os que quero mesmo jogar para mais tarde, para experimentar os que são só “deixa ver se é engraçado” primeiro. Depois, acontece o jogo não ter interesse nenhum, mas há que jogar umas dez horas, para apagar o sentimento de culpa de ter gasto dinheiro para duas horas mal passadas. Para isso, já basta ir à bola.
Portanto, é isto, tenho de aplicar mais o provérbio. Com certeza, levará a lugares de felicidade. Quer dizer, não no trabalho, estou a falar de entretenimento.