20 outubro, 2026

Upgrade in progress

    Tal como esta frase mete medo a qualquer fã da série do Doctor Who, ver isto escrito no telefone ou no computador faz tremer os mais fortes. Um smartphone pode ser tão assustador como um cyberman, especialmente quando é inesperado.
    Antes de mais, actualizações são importantes, para segurança e erros e não sei quê. Fora isto, são uma chatice. Para começar, é sempre quando não dá jeito. O telefone nunca apita a dizer que precisa de actualizar e reiniciar, é só quando lhe pegamos para fazer alguma coisa. É preciso pagar um jogo de padel com o MBway e tumba, o ecrã tem uma mensagem a bloquear tudo e a dizer que tem uma actualização superimportante para fazer. E para fingir que é simpático, dá três opções: fazer no momento, fazer e reiniciar às duas da manhã, ou cancelar e fazer noutra altura. Nenhuma das opções é boa, porque vejamos:
    Fazer no momento significa ficar com o telefone preso durante um quarto de hora, que não dá jeito nenhum, visto que estou com o telefone na mão porque preciso dele. Fazer e reiniciar às duas da manhã para mim não funciona porque desligo o telefone à noite. Não o uso, como é óbvio, e ninguém precisa de mim para emergências, portanto não faz sentido estar ligado. E se vai reiniciar durante a noite, vai estar inutilizável de qualquer forma, o que significa que faz ainda menos sentido estar ligado. Resta a opção de cancelar e fazer noutra altura, o mal menor. Só implica descobrir onde está a definição de actualizar o telefone e está a andar. Só que não. Damos a ordem para actualizar e o telefone diz que não pode, porque não está ligado ao wi-fi. Seguimos em frente e ele diz “tens a certeza? É que ainda são 200 megabytes”, e fica ali a insistir que é melhor não usar dados móveis. Gostava de lhe poder responder que o Age of Empires é maior que isso e nunca chateou ninguém (bem, mais ou menos, quando era mai-novo, tínhamos de desinstalar programas para poder jogar, e depois voltar a instalar no fim, mas era nos anos 90, não conta). Aceitando usar os dados móveis, depois implica com a bateria. Aparentemente, 49% é demasiado baixo e tem de fazer mais tarde, quando estiver ligado à corrente. Então mas é para actualizar ou não?
    Por fim, acaba-se o calvário, e temos uma agradável mensagem a dizer que foi tudo melhorado e vamos curtir bué a nova performance. Em contrapartida, apagou as nossas definições customizadas, para facilitar, e mudou os botões de sítio. Porquê ter o telefone como queremos, se podemos passar a ter acesso rápido a coisas que não usamos? Isto também acontece no computador, com a vantagem de ele simplesmente apagar as definições antigas, para ter a certeza que não voltamos atrás. Se calhar estou só a refilar, mas isto das tecnologias…